Eu vou casar

Nunca quis casar, papel, festa, vestido, o baile todo. Nunca. Desde nova eu já tinha pra mim que a ideia e a tradição não se encaixavam bem comigo, fora um leve pavor em ser uma esposa, título que ainda hoje me apavora. Tenho dificuldade com algumas tradições, casamento sempre foi uma. Quando conheci o André, para minha alegria e surpresa, ele igualmente não queria casar, foi um encontro feliz demais.

No último ano resolvemos morar juntos, planejamos, pensamos, poupamos, traçamos planos e enfim colocamos em prática. Um mês antes de mudar, no meio das nossas conversas, surgiu entre nós um “e se a gente casasse?” rimos muito, sobretudo de nós mesmos, pensando em fazer algo que sempre fugimos, que não encaixa bem com quem somos, mas falamos “ah, porque não?” e assim foi, decidimos casar.

Quando liguei no cartório para saber do procedimento, aconteceu um diálogo mais ou menos assim:

– boa tarde, queria saber como faço para fazer uma união civil?
– boa tarde, um casamento você quer dizer?
– ahn… é, isso.
– você é a noiva?
– não, eu só quero fazer uma união civil.
– (respiro impaciente)… então você é a noiva.

Meu deus, pensei, virei uma noiva, mas que porra, a Camila de 15 anos deve estar se remoendo com o andar da própria vida, mas foda-se, a Camila de 36 está meio que rindo da cara da Camila de 15, e na real eu estou feliz porque não aderi às coisas que realmente me incomodam, que não consigo me encaixar.

Amanhã vamos para o cartório de metrô, comigo vou levar meu RG e meu Bilhete Único, símbolos essenciais da minha liberdade em ser quem sou e me movimentar como quero, a decisão em assinar um papel e falar para o Estado que eu estou com o André além de celebrar nosso amor e nossa união, celebra a emancipação de mim mesma, eu sou livre para fazer tudo o que eu quiser, inclusive ir contra o que já fui um dia, mudar de ideia e casar nos meus termos, sem maquiagem, sem vestido, sem alianças, sem grandes arranjos.

Eu vou assinar um papel amanhã com o André e estou bem feliz porque é do nosso jeito, é naquilo que nos encaixamos, é o nosso amor.

2015-03-20 18.52.15

Há 2 anos, na Tailândia, quando ele me convenceu a enfiar os pés num aquário cheio de peixes que comem as nossas peles mortas. Achei apavorante no começo, mas depois ficou ótimo e rimos demais. Acho que o nosso casamento vai ser meio assim, um misto de desconhecido com algo muito bom e às vezes estranho ❤

 

 

 

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